o fim.

Esquisito como alguém que você tem um relacionamento há 3 anos pode, de repente, se tornar um completo estranho. Eu não tenho mais a liberdade de escrever o que eu quero em um email/carta ou então de ligar a qualquer hora do dia pra falar sobre qualquer coisa, porque simplesmente não vai ser a mesma coisa que antes, ou melhor, a coisa toda mudou, nada vai ser igual a antes. Ele me manda emails como se a gente fosse amigos sempre, sem nem vestígio de que um dia a gente já morou juntos e dói tanto porque parece que nós (eu + ele) nunca existimos, a indiferença é tão grande que chega a me cortar inteira por dentro. To tão em pedaços que nem sei por onde começar a me remontar, a tatuagem agora parece fazer mais sentido que nunca, talvez eu esteja me enganando, por que eu preciso de uma tatuagem pra me lembrar do que eu deveria ter tatuado na alma? Não sei, mas faz tanto sentido. Eu não consigo me lembrar disso, as vezes vem na minha cabeça, mas logo vai embora, é como um pensamento que vem mil vezes, mas não fixa, é um pensamento freelancer. Não consigo lembrar sozinha que eu posso me remontar tudo de novo, não importa quantas vezes eu me quebre ou em quantos pedaços, posso não achar todos os pedaços velhos, mas consigo achar um novo que substitui aquele perdido. Sinto falta do silêncio. Voltei anteontem pra casa das minhas tias e vejo como tudo mudou, em 2 meses que fiquei morando sozinha eu me adaptei perfeitamente bem, nem o fato de não ter jantar toda vez me desanimava. Eu tinha o meu canto, podia fazer o que bem entendesse. E tinha silêncio. To escrevendo esse texto e os pensamentos foram interrompidos por uma conversa que acontece na lavanderia/cozinha e vaza aqui pra sala, não consegui mais completar o raciocínio, agora a conversa já acabou, mas o raciocínio se perdeu no meio.

escrito em 22/08/12

Broken.

O nosso mundo (quando ainda era nosso) antes era sem paredes, eu entrava e saía quando queria, mas aí você foi construindo uma parede, tijolo por tijolo você foi colocando cada vez que se afastava mais de mim, cada vez que não pensava em mim, não me queria mais na sua vida, não me ligava mais. e essa parede foi crescendo e ficou espaço só pra uma porta, que eu escolhi colocar porque me doía demais ver você seguindo em frente e quase sumindo de vista de tão longe que você estava daquele mundo que antes era nosso. Eu deixei essa porta encostada, mas como você não chegou mais tão perto dela não percebeu isso, a fechadura eu ainda não tive coragem de colocar e não sei quem de nós dois vai decidir fazer isso. Quem vai precisar ou querer trancar essa porta, não precisa ser pra jogar a chave fora, essa é a minha vontade por agora. Eu sempre fico presa num relacionamento que não existe mais, trancam a porta comigo dentro e eu continuo ali, alimentado a alma com as migalhas que eu encontro do que um dia já foi e tudo fica confuso porque sobra tempo pra idealização que ta sempre presente na minha vida. Eu não consigo mais pensar nos defeitos, agora mesmo minha visão anda bem turva. Minha própria tempestade que me impede de enxergar o caminho. Ando tentando me reerguer, mas a cada obstáculo não previsto eu me quebro em pedaços e tenho que me recolher e me montar e tentar continuar, mas tem tantos pedaços que parece que ficaram perdidos no caminho e eu tento seguir sem eles, mas sinto que eles fazem falta e eu não sei direito quais pedaços são e aonde exatamente eles ficaram. Não queria mais noites sem dormir direito ou então qualquer problema que eu tiver pensar em você primeiro, seria bem mais fácil se você tivesse sido só um namorado, deixado essa parte de ser amigo de lado. E eu já estou me vendo traumatizada que nem o fuck buddy, não querendo mais relacionamentos, de volta pra onde eu parei a minha vida, fazer de conta que 3 anos eu fiquei congelada e foi assim que eu voltei. Acho que eu não vou querer mais essa intensidade de sentimento por um bom tempo com medo do final. Finais pra mim são sempre muito ruins, sou péssima com despedidas, tenho sempre essa sensação horrível e a mesma de quando eu era criança de que estão me abandonando e eu vou ficar desamparada e sozinha no mundo, que dali por diante acabou. Minha história de vida. Isso sempre se repete. Mas o que eu quero fazer o coração entender é que ninguém fica com você mesmo pra sempre, li isso em algum lugar, que as pessoas passam pela sua vida, algumas ficam mais outras bem pouco, mas no final é você com você mesmo. Parece um pouco óbvio dizer isso, mas quando eu li me deu um aperto no coração, eu até sei, mas quando ta colocado em palavras parece pior, foi um tapa de leve na minha cara, uma coisa só pra me acordar. E que difícil anda de acordar…

earl grey é o amor em forma de chá

e me lembra do lugar dos tijolinhos. aquele que eu gostei desde o primeiro momento em que eu senti que estava ali de verdade. e desde então meu coração e alma andam voltando pra lá de vez em quando, sem eu perceber, e bate uma saudade apertada, quase doída de uma vida inteira que eu vivi em dois meses. de uma família toda não de sangue, mas de carinho, que cuidou e abraçou como se eu pertencesse de verdade. e amizades com vontade de querer conhecer mais um pouco, mas que só duraram ali, como se fosse amor de férias…

e todo o calor que todo mundo diz que lá não existe, mas eu senti, ele ta lá escondido e aparece bastante nos pubs ou qualquer ocasião em que tem bebida na mesa. binge drinking, eu aprendi. na escola lá. eles usam a expressão bastante, eles fazem bastante, claro. my kind of people.

o chá. ahh o chá… ta no topo do comfort drink, se é que isso existe. só o cheiro do tal earl grey me transporta de volta pras manhãs geladas (e olha que não era nem inverno) esperando no ponto o 98 to holborn (dizia a vozinha que eu tanto queria imitar) pra ir pra escola e me fazer sentir inteligente de novo, porque olha, depois da faculdade os neurônios congelaram e não por causa do frio.

eu não queria voltar pra vida, quero aquela sensação de novo toda de novo, sensação de sonho se realizando, aquele sonho que eu nunca tive e por algum motivo inexplicável, foi o melhor. quero me apaixonar por aquela cidade mais uma vez, ao vivo e a cores.

tem alguma coisa que me puxou e me puxa de volta às vezes, que me impediu um tempão de conseguir pensar direito depois da volta. paixão arrebatadora que me derruba, que ocupa a alma de uma forma que eu ainda não consigo entender.

e como entender que foram só dois meses, mas a sensação que fica é de um lugar tão familiar que é como se eu já estivesse ali há tempos, já conhecesse tudo e só estava voltando pra matar as saudades que estão guardadas ali no fundo, tão bem escondidas que era difícil notar. saudades de um lugar que eu nunca fui. tão estranho, mas parece fazer sentido.

coração apertado

quero tudo de volta como era antes.

e eu que ultimamente ando pensando NELE tudo de novo e quero ver aquele musical porque o ator parece taaanto?!

e as coisas todas andam tão mais confusas e depois daquele filme que fala de amor, assim, escancaradamente, mas disfarçado de não, deu aquela dorzinha lá dentro e eu quis chorar como fazia tempo que eu não queria… nunca sei se é a falta do remédio ou se eu cansei. cansei de você?

com uma viagem de dois meses marcada pra nós dois pro seu país não é uma boa ideia pensar nisso mais a fundo…

podia ser o efeito do não remédio e pronto.

(sinto saudades de escrever. mas a inspiração não vem, só quando as confusões dentro de mim vêm a tona)

Pra mim mesma, mas pra você. Entende?

presentes não me compram por muito tempo. fico só mais um pouco, mas você não me tem de verdade. to ali de corpo, mas não de alma. minha cabeça volta praqueles dois que não me querem e por isso eu quero eles mais do que eu mesma sei.

namorar é desse jeito mesmo? sem emoção e sem nem saber se ta mesmo apaixonada? assim, sei que você é bonzinho e a pessoa que me tratou melhor desde que eu me conheço por gente. mas precisa ser morno desse jeito? gosto de amores que arrasam quarteirão, fazem inveja pro mundo. estranho esses que você ouve comentarem que não tem sintonia, que não parece com nada em casal. mas eu continuo insistindo e de vez em quandinho penso se é isso mesmo.
“mas você não vai jogar na parede toda vez que vê seu namorado, né?”. não. mas só porque você me disse isso. olha pra mim e diz que eu não sou pessoa de jogar na parede sempre?!

to lutando contra mim mesma há uns oito meses. quero descobrir se eu fico porque gosto, se é auto-sabotagem ou eu to brincando de tentar ser adulta…

.

Me embriaga e me fode sem pensar e sem sentimento. Mas não pega na minha mão daquele jeitinho. Não diz coisas que eu não quero ouvir e todo mundo bem sabe porquê. Não me manda mensagem perguntando por que eu sumi. Sumi porque precisei, senão caio na sua rede e não posso. Não liga pra mim só pra dizer que precisou ir embora sem avisar. Não me deixa acreditar em coisas que você inventou só pra me levar pra cama. Já to aqui, já sou sua. Fácil assim. Agora não mistura sentimento se você não aguenta depois alguém querendo as promessas que você fez.

minha antiga pessoa

Toda vez que eu choro por alguém, porque me magoaram ou eu perdi o que na verdade nunca tive ou por qualquer dessas desilusões quase amorosas. Na verdade eu choro por você, porque devo ter te magoado, porque você me magoou, porque eu te perdi mesmo nunca te tendo. Porque eu também te perdi como amigo, talvez o mais doloroso disso tudo.

Há dois anos atrás as coisas eram boas e você estava sempre ao meu lado, a gente saia, nada acontecia e eu me divertia. (rima!)

Você sabia como me fazer rir e por um tempo foi o único que eu quis dentro da minha bolha e o único que realmente me fazia esquecer qualquer problema, mesmo sem saber, sem querer.

E hoje você é só uma projeção do garoto perfeito. Quatro fileiras de carteiras nos separam, mas a sensação é de que é um mundo inteiro.

[escrito ano passado. já rola um distanciamento]

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