O meu próprio umbigo

Entradas do Junho 2009

Junho 29, 2009 · Deixe um comentário

e você nem sabe desse sorriso que deixou no meu rosto quando me ligou só por ligar. meu dia tava uma merda e agora não mais. mesmo que não seja mais dia e mesmo que esteja acabando.

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something

Junho 29, 2009 · Deixe um comentário

Qual era mesmo o nome daquela música? Eu tentava lembrar no ponto de ônibus.

Qual? Something?

Ahhh, é verdade.

E você cantou something in the way she moves tentando olhar nos meus olhos que não paravam de desviar e de não olhar. Attracts me like no other lover. ta, ta, eu ja lembrei, só queria lembrar o nome mesmo. I don’t wanna leave her now You know I believe and how. Deixa eu ver se meu ônibus já chegou. E você não se importou com o meu falso não importar e parece não se importar mesmo. De vez em quando parece que você lê através dos meus gestos e palavras de desprezo e me entende melhor do que eu me entendo. E sabe que mesmo eu te jogando longe o que eu quero mesmo é você me abraçando bem apertado e dizendo que somewhere in her smile she knows
that I don’t need no other lover Something in her style that shows me…

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dama de branco

Junho 28, 2009 · Deixe um comentário

e a inspiração vestida de branco saiu dançando pra longe de mim, eu só consegui ouvir ela murmurando…
- enquanto você não sofrer de novo eu não volto. essa sua vida anda entediante demais pra mim.

às vezes sinto falta de sofrer pra poder escrever, pra poder te-la bem perto de mim e tirar do fundo da alma minha dor, arrancar de mim e desenhar com palavras e frases e coisas que me deixam feliz por aquele momento.

sinto tanta falta.

me faz sofrer?

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pro menino do nome exótico (mas nem tanto)

Junho 6, 2009 · Deixe um comentário

Te conheci de um jeito engraçado. Na comemoração do aniversário do irmão de umas amigas. Não tinha  te visto no começo, estava até pensando em outra pessoa. flertando com outro.
Te vi só no finalzinho, quando já tinha desistido do outro. você estava parado na frente do bar, encostado no carro com um copo de cerveja na mão. você me olhava. demorei pra entender que era uma flerte . Flertamos então.
Você veio e não se importando com os meus amigos em volta, me beijou. achei ótimo, maravilhoso, meudeus.
Achei também que você ia ser só mais uma boca que eu beijei, esquecível, descartável como tantas outras. Mas quando você começou a falar… Meudeus, você tinha uma voz rouca na medida certa e um sotaque. e que sotaque. Combinava direitinho com essa sua voz. aliás, eu nunca achei que esse sotaque combinasse com alguém, mas em você parecia fazer parte da personalidade. até conheço pessoas com esse sotaque, mas chega a ser irritante. mas não em você. e aquela voz rouca sexy com sotaque tinha o que dizer e o que contar. ela me contou que você era de brasília e que morou um tempo em curitiba e agora estava aqui em são paulo há dois anos. me fez rir com as suas histórias e o seu jeito engraçado de contá-las. e nos intervalos dos beijos você me olhava com aqueles olhos grandes verdes que estavam tão pequenos naquela hora e me beijava de um jeito bom, que nunca cansava. porque sabe, tem pessoas que os beijos cansam, aí você conversa com ela não porque quer conhecê-la, mas pra não ter que beijá-la de novo tão cedo…

Meus amigos foram embora. seu amigo foi embora. e eu fiquei e você ficou. e nós ficamos conversando até amanhecer. até a hora que lembrei que precisava ir embora, tinha que me despedir de uma amiga. você foi comigo até o metrô e me contou mais histórias que me faziam rir. e eu te puxei no meio da rua mesmo e te beijei por muito tempo, como se fosse um filme daqueles romântico-melosos que sempre têm um final feliz. sempre.
quando chegamos no metrô nenhum dos dois queria ir embora, mas eu precisava.
passei meu telefone e cada um foi prum canto.

nos encontramos algumas vezes mais e eu me apaixonei perdidamente porque você era a pessoa perfeita no momento perfeito, mas as coisas não deram certo. você foi embora e eu fiquei.

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Guarda-chuva

Junho 6, 2009 · Deixe um comentário

A aula de Yoga tinha acabado, era umas seis e meia da tarde. Saí na rua e estava chovendo. Droga. Eu não tinha um guarda-chuva. Pra falar a verdade, eu nunca fui com a cara de guarda-chuvas, sempre preferi me molhar a ter que ficar segurando um treco traiçoeiro daqueles, que pode sair voando a qualquer momento. Queria chegar logo no lugar, que não era muito longe dali. Então resolvi enfrentar a chuva. Desarmada mesmo.

Fui andando. Talvez o mais devagar que eu podia. Queria chegar no lugar logo, mas não estava com pressa nenhuma, sabe? E era engraçado ver as pessoas encolhidas em seus guarda-chuvas com medo de se molharem, como se fossem feitas de açúcar. Ou então a procura de abrigos contra a chuva. Banca de jornal ou o cantinho do telhado de uma casa qualquer servia. Ou correndo. E eu ali. Andando. Andando enquanto tudo corria.

Parecia cena de clipe. Tudo corre e se esbarra e se mistura na paisagem chuvosa e passa batido. Menos a protagonista. Não importa se ela vai ficar encharcada no final. O que importa é aquele momento. Mesmo porque depois que a gravação do clipe acabar, ela tem toalhas e banho quente a disposição. Banho quente talvez não, mas toalha com certeza. Eu não tinha nenhum dos dois. Mas isso não me importava muito. Eu realmente não estava prestando atenção ao meu redor, já tinha me perdido nos pensamentos bizarros dentro da minha cabeça de fósforo.

Ué. Tinha parado de chover? Mas as pessoas ainda continuavam debaixo de seus guarda-chuvas e de suas proteções. Olhei pra cima e lá estava um guarda-chuva me protegendo. Olhei pro lado e um menino estava acoplado a esse guarda-chuva. Oh. Invadi o guarda-chuva alheio. Eu estava tão distraída assim?

Parei. Esperei ele andar um pouco. Ele parou. Virou pra trás e disse algo como:

- Você não vem?

Sorri. Claro que eu ia. Adoro gentilezas, especialmente de estranhos. Já que elas quase nunca acontecem. Ele puxou papo. Perguntou e falou coisas que eu provavelmente não vou lembrar. Eu tava morrendo de vergonha. Quase não perguntei sobre ele. Aliás quase não falei. Mas queria. Só não sabia o que dizer. Às vezes quando eu quero muito falar, as ideias não vem.

Simplesmente não vem. Branco total. A única coisa que eu sabia era onde ele fazia faculdade porque ele estava com aquela mochila vermelha escrito bem grande “Mackenzie” e que ele estava indo pra lá ou não. Mas eu não tinha certeza de nada disso. Afinal não perguntei. Burra. Não perguntei o nome dele, ele não perguntou o meu.

O caminho era curto. Mas mesmo assim acabou mais rápido do que eu esperava. É agora. Vou falar tudo o que der na telha. Vou chamá-lo pra sair. Perguntar o nome dele. Se ele quer ir beber uma cerveja e jogar umas besteiras aleatórias na mesa de um bar aleatório. Mas não. Demos um “tchau”, assim de longe. Queria pelo menos ter agradecido melhor e não ter falado um “obrigada” qualquer sem nem olhar pra cara dele. Tava ensaiando o caminho inteiro o jeito como eu ia agradecer, enquanto ele comentava alguma coisa sobre a chuva. Queria ter ido mais um quarteirão com ele, mesmo que saísse do meu caminho. Só pra ver no que dava. Sei lá.

Mas claro que eu só pensei nisso depois, porque é assim que funciona, quando você mais precisa de uma solução elas não vem e quando passa o momento, elas fluem como água, na sua cabeça.

Hunf.

[escrita há um bom tempo atrás, postada só hoje]

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