O meu próprio umbigo

Setembro 12, 2008 · Deixe um comentário

Me diz se é justo você chegar e me invadir desse jeito. Invadir meu peito, minha alma, minha cabeça. Tudo isso sem permissão nenhuma.

Ta. Eu não sou tão inocente assim. Eu que te vi no balcão do bar e te olhei e flertei e peguei na sua mão e te levei pra pista de dança.

Mas não é disso que eu to falando. Ninguém mandou você me falar aquelas frases todas. E eu tentava esvaziar elas dos significados reais. Tentei por um bom tempo. Mas você não desistiu. Eu não precisava ouvir que você gostou de mim e que eu era engraçada e que te fazia rir todas as vezes. Eu não precisava que você tivesse me deixado quase em casa. Eu não precisava das suas mensagens no celular, nem no orkut ou ficar cinco horas conversando com você no MSN. Não precisava. E agora preciso.

Preciso morder seu alargador e ouvir que tudo tem sua hora. Preciso fingir gostar dos vídeos que você me mostra. Preciso ouvir a sua voz rouca me dizendo aquela frase que não é bem uma frase.

Não diz coisas que eu não quero ouvir de pessoas que eu acabo de conhecer. Todo mundo sabe que eu me apaixono fácil e só consigo ver qualidades. É a tal da projeção que eu adoro falar sobre.

Me avisa que cansou.

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