O meu próprio umbigo

Garota dos sonhos

Janeiro 14, 2008 · 1 Comentário

Se você me conhecesse há seis anos atrás, eu seria a garota dos seus sonhos. Certeza.

Toda perfeitinha e timidinha, dentro dos moldes, dentro da roupa e do cabelo certo. Perdidinha e bobinha. Certinha. sem muita personalidade. Do jeito que devia ser uma garota. Achava que maquiagem era só lápis de olho e que amor era igual ao que eu via nos filmes, onde a mocinha boazinha, por mais boba que fosse, sempre ficava com aquele que ela queria e que por uma mera coincidência, era também o cara que TODAS as outras meninas mais lindas e mais populares e mais mais queriam. Só coincidência.

Até que um dia desandei. Aprendi a beber, descobri outras músicas, me descobri, me soltei. Soltei a franga. Conheci gente e mais gentes. Descobri meu lado B e descobri que preferia esse tal lado B do que o A. Falei palavrão. Fiquei mulher. Quase mulher. Uma mulher-menina. Ou menina-mulher. Dependendo da hora. Até aprendi a usar maquiagem. Usei roupas e cabelos sem me preocupar se eram esquisitos ou não. Escolhi o que eu queria estudar. E até que.

Até que eu te conheci e me apaixonei logo de cara, logo que eu saí do elevador e te vi de longe. Mesmas músicas, mesmos filmes, mesmos livros. Não. Não era tudo ‘os mesmos’, mas parecia. E a gente se parecia. E eu queria toda vez e toda hora seus abraços magrelos que sabiam me envolver tão bem e que eram mais confortáveis do que pareciam. E pela primeira vez pareceu sensato esperar, – olha logo quem tá falando em sensatez – entender e respeitar o tempo que você me pedia com os olhos e com os gestos e queria pra poder conseguir digerir tudo.

E eu fui sua e você foi meu por umas três noites randômicas. Mas eu já tinha deixado de ser faz tempo aquela garota por quem você poderia se apaixonar. Não era mais uma moça, ou melhor, uma menina. E o encanto se acabou, acho que primeiro pra você. Talvez pra mim ainda não tenha acabado. Mas vai. O nosso tempo já foi.

[devo te assustar. Não tenho mais aquela inocência de menina, mas tenho outro tipo de inocência, mas madura talvez com um toque de mulher que assusta a você, que é tão menino, - mas mais homem que muito homem barbudo - que assusta todos os homens da minha vida. tão bobo e tão verdade)

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1 resposta Até agora ↓

  • broa-ha-ha // Fevereiro 20, 2008 às 4:59 pm | Responder

    por algum acaso eu já disse que eu adoro o jeito como escreve, descreve, pula de um canto pra outro tão naturalmente. fico boba…
    fazia tempos que não entrava aqui, não lí todos os últimos posts, lí uns 3 ou 4 durante o intervalo de trabalho. não preciso nem comentar, mas…

    vim apenas dizer que estou louca de saudades dessa sua personalidades e pensamentos soltos.
    muitos beijos, cotosa.

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