Eu fui naquela festa. Prometia ser uma festa boa. Era aniversário de duas amigas. Fui pra pista dançar samba, porque era o que tava tocando. Olha pra minha cara e diz que eu sambo. E tentaram me ensinar e não conseguiram então eu fiquei só mexendo a minha cabecinha de fósforo. A pista estava vazia.
Também… começo de festa, quem é que fica na pista em começo de festa? Eu!! Adoro dançar, por mim eu passaria a minha vida inteira numa pista de dança.
Oh. Oh. Hã? O que você faz aqui? Ouvi você dizer na sala pra alguém que não ia vir. O que te trouxe, hein? Fora esse seu amigo meio bobo que tem carro.
Sorriso imediato.
Você abraça todos da rodinha, apesar de ter visto todos eles, quer dizer, todos nós, na sala há algumas horas atrás. Ganho um abraço também, claro, eu tava na rodinha também. Nada de tratamento especial.
Eu fazia de tudo pra ta do seu lado. Exatamente do seu lado. Tanto faz se o direito ou o esquerdo. Queria conversar um monte com você, mas estava com medo do meu hálito de cerveja te espantar. Então eu me contentei só com estar do seu lado. Conversei com as pessoas que estavam no seu grupo só pra permanecer lá. Ouvia você conversando com quem eu tinha acabado de abandonar. Conversava coisas bestas com você, que nem chegava a ser uma conversa, só uma troca de palavras aleatórias. Mas o que eu queria mesmo era ficar na ponta dos pés quando ninguém estivesse prestando atenção na gente e falar ao pé do seu ouvido o quanto eu te queria naquele momento e em vários outros e te arrastar pro banheiro e fazer um monte de coisas e tudo e mais um pouco. Mas eu não ia fazer isso. Não tinha coragem, apesar das cervejas. Não fiz. Queria muito, mas não fiz.
Talvez me arrependa daqui a um tempo. Ou não.
Enquanto eu dançava, você me olhava. Pelo menos era o que os meus olhos, que já me enganaram tanto, diziam. Isso me fez lembrar de uma outra festa em que você me olhava mesmo dançar e eu me sentia bem. Dançando e sabendo que o seu olhar era pra mim, pro meu corpo em movimento. E você me pediu a câmera emprestada. Porque eu era a fotógrafa oficial das festas e levava a minha câmera pra todas e tirava um monte de fotos, até que cansei de pessoas me pedindo fotos.
Eu a joguei em sua mão sem prestar muita atenção. E eu senti flashes. Senti, não vi. Estava de olhos fechados. Quando eu fui descarregar as fotos, eu vi aquele monte de foto minha dançando. Sorri. Guardo isso bem guardado na minha memória que não guarda nada. E sempre que eu lembro daquilo eu sorrio.
Bom, voltando pra festa atual. Eu tava dançando em uma rodinha e vi você saindo. Com seus amigos. Você nunca fica sozinho. Eu dei um tempo e fui te procurar, queria ficar ao seu lado, já que isso quase nunca acontece, apesar da gente se ver to-dos-os-di-as. Mas…
Você tinha ido embora. Droga. E acho que de novo te perdi. Não sei até quando vou continuar não te tendo. E mesmo assim, te perdendo, sabe? Sei.
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